Com retorno financeiro projetado para três meses, pequenos produtores rurais e urbanos apostam em aves poedeiras.
A busca por alternativas de renda e o fortalecimento do pequeno produtor rural têm impulsionado a avicultura de postura no Ceará. Para quem deseja estruturar uma criação caseira com capacidade inicial para 50 aves poedeiras, o investimento exigido gira entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, dependendo da raça da galinha.
O grande atrativo do modelo de negócio é a liquidez e a rapidez do ciclo produtivo, que permite ao produtor colher os primeiros resultados financeiros no curto prazo.
“Em três meses, o produtor já começa a ter retorno. Ele já começa a colher os primeiros ovinhos para o seu consumo e já pode começar a vender para o vizinho, vender na porta de casa, vender para uma lojinha”, diz.
Presente na 70ª Exposição Agropecuária do Ceará (Expoece), que vai até o dia 8 de novembro no bairro São Gerardo, a empresa de Caucaia projeta um crescimento expressivo no volume de vendas durante o evento, impulsionada pelo interesse de novos criadores.
“Nossa venda de pintos foi um sucesso no ano passado, vendemos cerca de 3 mil. Este ano, estamos com o desafio de vender 5 mil aves aqui na Expoece. Aumentamos a meta e creio que vai dar certo, já que só no primeiro final de semana (da feira) já vendemos 25% da meta, superando as expectativas”, aponta Dantas.
A Instinto Animal Distribuidora atua há 10 anos no mercado cearenses e foca na distribuição capilarizada para atender tanto pequenos centros urbanos quanto o interior dos estados.
Atualmente, a empresa atende todo o território cearense e já começa a fazer entregas também no vizinho Piauí. Na Expoece, da remessa de 1 mil capotes, 950 já haviam sido negociados no quarto dia de feira.
Além disso, o estande também tem disponíveis para vendas codornas e acessórios de cuidado, como gaiolas, bebedouros e comedouros.
Mercado infantil representa 3% das vendas na feira agropecuária
Moradora do bairro Meireles, em Fortaleza, a pequena Lorena Alexandre, 3 anos, estava encantada com a exposição de pintinhos do pescoço pelado. Ela passeava com sua mãe, Graziella Viana, sua prima Maria Eduarda Palomino, 7 anos, e a tia, Gardênia Palomino — as duas últimas vindas de São Paulo.
Pela primeira vez na Expoece, a família aproveitou o passeio para conciliar com prática educativa. “Nós vamos levar o pintinho para que elas tenham essa experiência de cuidado, de saber que um ser vivo não é brinquedo, de ter a responsabilidade por uma vida. Além disso, tenho um sítio e assim que ele crescer um pouquinho, já vai ser criado solto por lá. Temos que ter essa responsabilidade também”, explica Graziella.
Já Gardênia lembra que este tipo de passeio tem um valor grande para ela e sua filha, por conta dos laços com o sertão e com as “coisas do campo”. “Fiz questão delas terem contato com os bodes, de comer as comidas típicas, que acabamos também levando para São Paulo. Então, a Feira aqui está ótima para isso”, revela.
Assim, outro público ganha espaço de venda no evento: o consumo voltado para famílias e crianças. Estimado em cerca de 3% do volume total de vendas de pintinhos, esse nicho atrai moradores de áreas urbanas, exigindo uma abordagem comercial que inclui a venda de estruturas completas para a criação como pet.
Para viabilizar a permanência dos animais em ambientes urbanos sem gerar desconforto ou perdas precoces, o atendimento orienta a compra de pares e kits de manejo.
“É muito difícil a família levar um pintinho, porque a gente sempre explica que eles sobrevivem melhor com companhia. Para quem mora em apartamento ou condomínio, a gente também tem a gaiolinha e ensina todo aquele manejo diferenciado”, pondera Dantas.
Ela também enfatiza a necessidade de educar as famílias sobre o ciclo natural do animal. “O que tentamos sempre passar também é que a ave tem o seu tempo de vida e que, dependendo da relação emocional, depois que cresce ela cumpre o seu ciclo na cadeia alimentar. Tudo tem o seu tempo”, completa.
70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará
A Associação dos Criadores do Ceará (ACC), responsável pela Expoece, projeta movimentação financeira de R$ 30 milhões em toda a feira, 50% acima dos R$ 20 milhões negociados em 2025.
O número de expositores e empresas passou de cerca de 180, no ano passado, para mais de 360.
A edição de 2026 tem maior diversidade de setores. Além de empresas do agronegócio e de máquinas, participam representantes dos segmentos de veículos, energia solar, construção, varejo, eletrodomésticos e alimentos.
São esperadas mais de 300 mil pessoas nos nove dias de evento.
Expoece – 70ª edição
Quando: de 31 de outubro, a partir de 7h, a 8 de novembro, até as 22h
Local: Parque de Exposições Governador César Cals – São Gerardo













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